Quem era o adolescente Caio Oliveira, que morreu com 'torção intestinal' após ser liberado de UPA
27/06/2026
(Foto: Reprodução) Laudo aponta torção intestinal como causa da morte de adolescente em São Carlos
Um menino bom, educado, estudioso e com sonho de ser jogador de basquete. Assim foi descrito Caio Vinicius de Oliveira, de 15 anos, que morreu na quinta-feira (25), um dia após ser medicado e liberado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) sem que exames fossem realizados, em São Carlos (SP).
A família do adolescente questiona o atendimento médico oferecido à vítima. O laudo do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) apontou 'choque circulatório' e 'torção da alça intestinal' como causas da morte.
Na sexta-feira (26), após a divulgação com o laudo das causas da morte, a prefeitura informou que "vai abrir sindicância para apurar as responsabilidades". (Confira o posicionamento completo abaixo).
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🔎 A torção da alça intestinal, segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, é popularmente conhecida como "nó nas tripas" e é uma condição grave que pode bloquear a passagem de alimentos e interromper a circulação de sangue em parte do intestino.
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Quem era Caio Oliveira
Caio Vinicius de Oliveira
Reprodução
Ana Claudia Aparecida de Lima, tia de Caio, contou que o adolescente era um menino bom e educado. "Estudava no período integral, não gostava de rua, bagunça, nada".
"Ele falava para minha irmã que queria estudar, depois ia fazer Etec, depois ele queria fazer curso, trabalhar, ter as coisinhas dele", afirmou Ana Claudia.
A madrinha de Caio, Tamires Roganti Oliveira, afirmou que o adolescente era estudioso, dedicado e que nunca deu trabalho na escola. Além disso, amava jogar basquete e se divertir com o videogame.
"Me despeço de um menino que marcou nossas vidas com a sua educação, o seu coração bondoso, o seu jeito especial de viver. Aos 15 anos ele partiu, deixando um vazio impossível de explicar", disse ela.
De acordo com a madrinha, Caio havia falado que queria estudar Tecnologia da Informação. "Infelizmente esse sonho foi interrompido. [...] A saudade será eterna, mas o amor que sentimos por ele jamais terá fim".
Caio e a madrinha Tamires Roganti
Arquivo Pessoal
Família questiona atendimento
Segundo a família, Caio era saudável e não apresentava nenhum problema de saúde
Arquivo pessoal
Beatris Regina de Lima, mãe do adolescente, afirmou que ele foi liberado da UPA da Vila Prado sem que exames fossem realizados. "A médica não fez nada, nem relou nele. Só olhou para ele e medicou".
O caso foi registrado na Polícia Civil como morte natural, mas a família questiona a conduta médica e o socorro prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
"Eu falei que ele não parava de vomitar, estava com muita dor na barriga. Ele não parava de se contorcer na frente dela. Retornei e falei que não dava para levar ele embora e deram outra medicação. Uma delas disse que deveria ser uma virose", contou a mãe.
Durante a ida à UPA, a mãe contou que Caio passou por atendimento com duas médicas que, segundo ela, não teriam realizado avaliação detalhada do adolescente.
Caio recebeu medicações na veia, mas continuou se queixando de dor. Ela retornou ao consultório para informar que o filho não havia melhorado. Depois disso, uma nova medicação foi administrada.
Após receber os medicamentos, Caio disse que a dor havia amenizado e foi liberado para voltar para casa. Durante o restante do dia, segundo a mãe, o adolescente permaneceu debilitado, com fraqueza e dificuldade para ficar em pé. Mas, na madrugada de quinta, o quadro piorou.
Beatris relatou que o filho a chamou dizendo que estava com dor no peito e tontura. Pouco depois, ele perdeu a consciência no sofá. O Samu foi acionado.
A mãe relatou que a primeira ambulância chegou rapidamente, mas que houve demora no início do atendimento porque a enfermeira teria permanecido dentro da ambulância.
Segundo a mãe, a enfermeira só entrou na residência após alguns minutos, quando Caio já estava inconsciente. Em seguida, foram iniciadas as manobras de reanimação. Uma segunda ambulância, com médico, chegou pouco depois.
Beatris acredita que houve falhas tanto no atendimento prestado na UPA quanto na atuação inicial do Samu.
O que diz a prefeitura
Caio Vinicius de Oliveira morreu um dia após passar por atendimento médico na UPA da Vila Prado, em São Carlos
Arquivo pessoal
De acordo com a prefeitura, Caio foi atendido por uma médica às 5h33 na UPA, apresentando queixa de dor epigástrica, na região superior do abdômen, e vômitos. O paciente não apresentava febre, inapetência ou outros sinais considerados de alerta pela equipe médica.
Conforme a nota da administração municipal, Caio recebeu medicação com buscopan, cimetidina, dipirona, decadron e dramin. Após permanecer em observação, ele passou por uma reavaliação clínica às 7h18. O adolescente apresentou melhora e, por isso, recebeu alta médica.
Sobre o atendimento prestado pelo Samu, a Prefeitura de São Carlos informou que o chamado foi registrado às 3h20 da madrugada de quinta-feira (25), e que a solicitação relatava um paciente com náuseas, vômitos e mal-estar.
Ainda conforme a administração municipal, a primeira equipe enviada foi uma Unidade de Suporte Básico (USB), que era a ambulância mais próxima do endereço informado. O veículo foi acionado às 3h25 e chegou ao local às 3h31.
A prefeitura informou ainda que, na sequência, foi deslocada uma Unidade de Suporte Avançado (USA), conhecida como UTI Móvel. A equipe foi acionada às 3h39 e chegou ao endereço às 3h48. Os registros apontam que a USB deixou o local às 4h24.
A administração municipal não detalhou os procedimentos realizados pelas equipes durante o atendimento.
Após a divulgação do laudo, a prefeitura enviou um novo comunicado nesta sexta. Veja a íntegra:
A Prefeitura Municipal de São Carlos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, manifesta profundo pesar pelo falecimento do adolescente de 15 anos e se solidariza com seus familiares e amigos neste momento de imensa dor.
Diante da divulgação do laudo necroscópico, que aponta como causa do óbito uma torção intestinal, a Administração Municipal informa que acompanhará rigorosamente a apuração dos fatos, com total transparência e responsabilidade.
Embora se trate de uma condição rara e de evolução clínica que pode apresentar sintomas iniciais pouco específicos, todas as circunstâncias que envolveram o atendimento prestado ao paciente serão analisadas de forma criteriosa.
Para garantir uma avaliação técnica, isenta e fundamentada, a Secretaria Municipal de Saúde instaurará procedimento administrativo para analisar o atendimento realizado, incluindo a revisão do prontuário médico, dos protocolos adotados e de toda a documentação pertinente. Caso sejam identificadas falhas ou inconformidades, as medidas administrativas cabíveis serão adotadas.
A Prefeitura ressalta que qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade deve ser baseada na análise técnica completa dos documentos médicos, do laudo pericial e da evolução clínica do paciente, respeitando o devido processo de apuração e evitando julgamentos precipitados e políticos.
Por fim, a Administração Municipal reafirma seu compromisso com a qualidade da assistência prestada à população, com a transparência na condução dos fatos e com o constante aperfeiçoamento dos serviços públicos de saúde.
Prefeitura Municipal de São Carlos
Secretaria Municipal de Saúde
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